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Rodas de conversa colocam em pauta o racismo brasileiro

ACS - Faculdade de Medicina da UFMG Belo Horizonte, 9 de maio de 2017
Roda de conversa debate o racismo no Brasil. Foto: Rafaella Arruda.

Roda de conversa debate o racismo no Brasil. Foto: Rafaella Arruda.

“O racismo brasileiro é formado no discurso e na prática”, afirmou o especialista em Psicologia Social e integrante do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão Conexão de Saberes/FAFICH/UFMG, Ricardo Dias, durante roda de conversa no Hemocentro de Belo Horizonte (HBH), no dia 5 de maio. A atividade, realizada pelo Grupo Técnico Racismo Institucional, do Cehmob-MG, debateu o tema “O que é ser negro no Brasil” e reuniu representantes de instituições parceiras. O grupo refletiu sobre a construção das ideias de raça e racismo a partir da evolução do pensamento social brasileiro.

Para Ricardo Dias, que conduziu o encontro, as discussões sobre o futuro do Brasil no período pós abolição da escravidão, entre 1890 e 1920, tiveram como ponto importante a questão das raças, com temas relacionados ao perigo eminente dos mestiços e à inferioridade racial do negro. “Durante a formação moderna do Brasil, chegavam ideias ‘modernas’ da Europa, uma ideia impregnada, um saber para legitimar a escravidão”, pontuou.

Nos anos seguintes, segundo o especialista, a miscigenação passa a ser vista como possibilidade de redenção do Brasil: “É um discurso extremamente racista, muito ligado à ideia de alegria do brasileiro, de que aqui todos vivem bem”. Já na década de 1980, com os movimentos de resistência ligados à cultura e política, busca-se sair do discurso de que não existe racismo no país. “Outras formas de pensamento trazem o entendimento de que o Brasil nunca foi uma democracia racial”, afirmou Ricardo.

Preconceito de marca

Ricardo Dias apresenta imagens ligadas ao racismo brasileiro. Foto: Rafaella Arruda.

Ricardo Dias apresenta imagens ligadas ao racismo brasileiro. Foto: Rafaella Arruda.

“No Brasil temos o preconceito de marca, pois o que serve de critério é o fenótipo ou a aparência racial”, explicou o psicólogo. Nesse sentido, segundo ele, o racismo brasileiro diferencia-se do norte-americano, denominado preconceito de origem, que tem como base as potencialidades hereditárias do indivíduo. “Aqui o racismo é questão de cor de pele”, concorda a recepcionista do HBH, Kátia Cilene, presente na roda de conversa. “No Brasil o racismo é velado, acontece com piadas e comentários maldosos. Em tudo você tem que provar que é melhor, que tem educação, sabe conversar e tratar as pessoas. Eu sempre fui testada”, disse.

Na opinião de Ricardo Dias, uma forma de se enfrentar o racismo é falar também do branco, convocá-lo para o debate das relações raciais: “Não foram os negros que criaram o racismo, é preciso falar da opressão do negro e do privilégio do branco”.

Racismo Institucional na Saúde

O debate no dia 8 de maio, também realizado no HBH, abordou o Racismo Institucional e seu impacto na Saúde.  A superintendente de Políticas Afirmativas e Articulação Institucional da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, Yone Gonzaga, falou da relação entre a História do Brasil e o racismo institucional. Segundo ela, é comum ouvir que a mulher negra é mais forte e suporta mais dor e, por isso, ela tem uma demora no atendimento médico. “O racismo institucional é quando a gente deixa de atender ao outro, porque nós já estamos com informações anteriores na nossa cabeça. Como a mulher negra resistiu a tudo aquilo, ela é mais forte, mas o processo de gestação é o mesmo, por exemplo, que uma pessoa branca. São discursos que tem que ser desconstruídos”, explicou. “O Painel de Indicadores do Sistema Único de Saúde, de 2016, mostra que as mulheres que mais morrem em consequência de agravos da gestação são as negras. Por que essas mulheres continuam sendo as que menos têm atendimento durante o pré-natal?”, questionou.

Yone Gonzaga e Maria Zenó Soares. Foto: Larissa Rodrigues.

Yone Gonzaga e Maria Zenó Soares. Foto: Larissa Rodrigues.

Para a enfermeira do Projeto Linha de Cuidados, do Cehmob-MG, Aline Batista, que participou da discussão, debater o racismo institucional é extremamente válido para a melhoria da qualidade no atendimento. “Por muitas vezes a gente percebe um pouco essa diferença no tratamento, não necessariamente intencional, mas o racismo é reproduzido em pequenas coisas”, comentou.

Descomemoração da Abolição da Escravatura

As rodas de conversa fazem parte de uma programação especial promovida pelo Grupo Técnico Racismo Institucional, do Cehmob-MG (parceria entre Nupad da Faculdade de Medicina da UFMG e Fundação Hemominas, com apoio da Dreminas), em descomemoração ao 13 de maio, data da Abolição da Escravatura. O objetivo é dar enfoque ao enfrentamento e combate ao racismo.

A programação será encerrada nesta segunda-feira, 15 de maio, com atividade aberta ao público a partir das 13h30, no Campus Saúde da UFMG. Haverá Cortejo de Maracatu com o Grupo Bombos de Iroko e na sequência roda de conversa com o tema “Doença falciforme e racismo institucional”, com as palestrantes Ana Paula Pinheiro (Linha de Cuidados/Cehmob-MG), Maria Zenó (Dreminas) e Dóris Faustino (Programa Ações Afirmativas na UFMG). O debate acontece no Diretório Acadêmico Alfredo Balena (DAAB) da Faculdade de Medicina da UFMG.

Saiba mais:

Atividades do Cehmob-MG marcam mês de enfrentamento e combate ao racismo.

Grupo técnico debate sobre racismo institucional. – Fonte: Fundação Hemominas.

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