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Ação contra o racismo integra música e debate no Campus Saúde

ACS - Faculdade de Medicina da UFMG Belo Horizonte, 16 de maio de 2017
Bombons de Iroko em cortejo no Campus Saúde. Foto: Carol Morena.

Bombons de Iroko em cortejo no Campus Saúde. Foto: Carol Morena.

 O cortejo de Maracatu do grupo Bombos de Iroko, de Belo Horizonte, marcou o último dia de atividades promovidas pelo Grupo Racismo Institucional, do Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG), em descomemoração ao mês da Abolição da Escravatura. A apresentação cultural realizada no Campus Saúde da UFMG, no dia 15 de maio, seguida de uma roda de conversa aberta ao público, destacou o enfrentamento e combate ao racismo.

“O 13 de maio não se comemora, a data é uma farsa, uma vez que retirar as correntes não representa libertação”, declarou o regente do Bombos de Iroko, Clayton de Oxaguiãn, durante o cortejo pelo Campus Saúde. Segundo ele, as escolas ainda reproduzem o mito da libertação dos escravos, enquanto o racismo permanece: “Criado em 2012 para fazer intervenções pela cidade, nosso Grupo nasce para desmistificar essas histórias e mudar um pouco o mundo”.

Ana Paula Pinheiro entrega folder sobre racismo e doença falciforme no Campus Saúde. Foto: Carol Morena.

Ana Paula Pinheiro entrega folder sobre racismo e doença falciforme no Campus Saúde. Foto: Carol Morena.

Com a participação de 15 integrantes, que entoaram diferentes cantos e batuques, o cortejo seguiu até o Diretório Acadêmico Alfredo Balena (DAAB), onde o público presente pôde dar continuidade às reflexões sobre a condição do negro nos dias de hoje. “Combater e enfrentar o racismo é uma luta diária, o racismo é o mal do século”, afirmou a presidente da Associação de Pessoas com Doença Falciforme de Minas Gerais (Dreminas), Maria Zenó Soares. Integrante do movimento negro há 30 anos, Maria Zenó também questionou a celebração da Abolição da Escravatura: “Não comemoramos o 13 de maio. Quando Isabel assinou a lei e colocou os negros na rua, qual garantia foi dada? Fomos simplesmente jogados, as correntes não foram tiradas”.

Adriana Nunes (Fundação Hemominas), Maria Zenó (Dreminas). Foto: Carol Morena.

Adriana Nunes (Fundação Hemominas) e Maria Zenó (Dreminas). Foto: Carol Morena.

Doença falciforme e racismo institucional

Durante o encontro, o grupo abordou a relação entre racismo e doença falciforme, considerada uma das doenças hereditárias mais comuns no país e que atinge predominantemente a população negra. “95% das pessoas com doença falciforme são negras. Nós, pessoas com doença falciforme, convivemos com a dor física e a dor do racismo”, pontuou Maria Zenó.

De acordo com a presidente da Dreminas, apesar dos Simpósios Brasileiros sobre a doença falciforme e da inclusão da doença, em 2015, na portaria do Ministério da Saúde para o transplante de medula óssea, o assunto permanece desconhecido de grande parte da sociedade. Nos atendimentos de urgência e emergência, conforme citou, pessoas que sofrem de outras doenças crônicas como hipertensão e diabetes tendem a ser atendidas mais rapidamente do que aquelas com doença falciforme: “As pessoas não conhecem a doença falciforme pois não querem conhecer. A gente só vai sair dessa invisibilidade quando o tema for para a sala de aula”.

Roda de conversa reuniu público no DA de Medicina da UFMG. Foto: Carol Morena.

Roda de conversa reuniu público no DA de Medicina da UFMG. Foto: Carol Morena.

A pediatra Ana Paula Pinheiro Chagas, que coordena um projeto do Cehmob-MG voltado para a capacitação dos profissionais de saúde em doença falciforme (Linha de Cuidados), destacou a necessidade de se abordar o tema no Sistema Único de Saúde (SUS) e na Atenção Básica. Segundo ela, os dados atuais da doença são incompletos, falhos e não oferecem o retrato fiel da situação: “Sem os registros, se os profissionais não conhecem a doença, como vai se expressar a realidade? Isso também é racismo”.

“Desconstruir e reconstruir”

Ao final do encontro, o estudante de Psicologia Vinícius Theófilo, integrante do Bombos de Iroko desde 2013, falou da participação do Grupo no movimento negro: “O Grupo se apropriou da cultura de festa e luta do Maracatu. Todas nossas atividades são voltadas para a mudança, desconstruir o que está instituído para depois reconstruir”.

Na opinião dele, que também integra o Grupo Racismo Institucional, a ação no Campus Saúde representou uma forma de se chamar a atenção para o tema: “Chegar aqui e falar que as pessoas são racistas foi um arranhão, uma oportunidade de mostrar o porquê da nossa presença”.

Grupo Bombos de Iroko e membros do Cehmob-MG. Foto: Carol Morena.

Grupo Bombos de Iroko e membros do Cehmob-MG. Foto: Carol Morena.

Grupo Racismo Institucional

O Grupo faz parte do Cehmob-MG – parceria entre Nupad da Faculdade de Medicina da UFMG e Fundação Hemominas, com apoio da Dreminas – como uma das iniciativas de trabalho que propõe discutir e elaborar estratégias de enfrentamento e combate ao racismo institucional nos serviços de saúde e na sociedade.

A programação especial promovida pelo Grupo durante o mês de maio contou ainda com duas rodas de conversa realizadas do Hemocentro de Belo Horizonte, nos dias 5 e 8 de maio.

Saiba mais: Rodas de conversa colocam em pauta o racismo brasileiro

Informações sobre o Grupo: (31) 3409-8919.

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