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Unidade de Saúde é destaque na atenção à pessoa com doença falciforme

Melhoria teve início com a capacitação dos profissionais pelo Cehmob-MG.

ACS - Faculdade de Medicina da UFMG Belo Horizonte, 28 de outubro de 2015
Equipe UBS Barcelona. Foto: Rafaella Arruda.

Equipe UBS Barcelona. Foto: Rafaella Arruda.

Localizada em Ribeirão das Neves (MG), a Unidade Básica de Saúde (UBS) Barcelona é exemplo de que o conhecimento faz a diferença. Com uma equipe de dez profissionais, entre agente comunitário de saúde (ACS), enfermeiro, técnico de enfermagem e clínico geral, a Unidade atende hoje oito pessoas com doença falciforme (DF), doença genética que afeta o sangue e provoca diversas complicações, como anemia, infecções e crises de dor. É o maior número em relação às demais UBSs do município. Para a equipe, que antes de se capacitar sabia pouco da doença, o conhecimento adquirido com o projeto “Doença Falciforme: Linha de Cuidados na Atenção Primária à Saúde”, do Cehmob-MG, deu início à mudança de postura com o paciente.

A melhoria do atendimento começou em 2012, quando representantes da UBS Barcelona com formação superior participaram do curso a distância do projeto e puderam, pela construção compartilhada de conhecimento, entender a DF. Após o curso de 90 horas, com cinco módulos sobre aspectos diversos da doença, os profissionais treinados passaram a replicar o aprendizado na Unidade. “Eu sabia superficialmente da doença pelos pacientes. Foi com a replicação que a UBS passou a abrir os olhos para a DF” conta a ACS Elaine de Jesus, há cinco anos na Unidade.

“Hoje conseguimos ter um vínculo maior com essas pessoas”, diz a gerente da UBS, Dayanne Souza. Segundo a enfermeira, a equipe agora leva em conta os cuidados especiais dos pacientes: “A partir do curso ficamos mais atentos”. Mesma opinião da ACS Keli Ferreira. Para ela, que participou também de outras capacitações do Cehmob-MG, a tentativa é de sempre tentar melhorar a condição da pessoa com DF. “Neste caso, quando temos alguma coisa para marcar tentamos colocar na frente, pois sabemos que não pode esperar”, declara. Outro exemplo é o cuidado durante as visitas domiciliares. “Procuro saber sobre os exames, marcação de consultas. É uma atenção que a gente passou a ter com eles. Antes não era visto como prioridade”, cita a ACS Maria dos Reis, 12 anos atuando na Unidade Barcelona.

Para a superintendente de assistência e promoção à saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão das Neves, Aliene Passos, o diferencial da Unidade está no envolvimento da equipe. “Aqui todos compraram a ideia da linha de cuidados na doença falciforme. Várias unidades fizeram a replicação, mas conseguir o que conseguimos aqui é vitorioso”, ressalta Aliene, que também é facilitadora do Linha de Cuidados. “Se eu puder fazer a diferença na vida dessas pessoas que acolho, já estou melhorando a qualidade de vida delas”, acrescenta.

Avanços e desafios

Atendimento na UBS Barcelona. Foto: Rafaella Arruda.

Atendimento na UBS Barcelona. Foto: Rafaella Arruda.

Segundo a Associação de Pessoas com Doença Falciforme e Talassemia do Estado de Minas Gerais (Dreminas), existem hoje cerca de 300 pessoas com a doença em Ribeirão das Neves. “É um município que, apesar das dificuldades, avançou muito no cuidado da pessoa com doença falciforme”, cita a presidente da Associação, Maria Zenó Soares. Neste cenário, ela destaca a UBS Barcelona: “O conhecimento fez a diferença e a postura começou a mudar. Acredito que tudo que tiver que ser implantado em projeto piloto para a doença falciforme deve iniciar lá”.

Antônio Marcos é atendido pela UBS Barcelona e foi diagnosticado com a DF com um ano de vida. “Devagarzinho as coisas estão melhorando. Quando chegava aqui, tinha que esperar atender todos os outros. Agora, se chegamos passando mal, se precisar de consulta com o médico, eles já nos passam”, conta. Segundo ele, o principal problema continua sendo a falta de informação e de atendimento ágil nos hospitais: “No hospital é muito difícil ser atendido urgente. Ficamos de molho, aguardando”.

De acordo com Elaine de Jesus, Antônio enfrentou dificuldades com uma necrose de fêmur, decorrente da DF, na época em que a equipe passava pela replicação do curso Linha de Cuidados. “Sabendo da necessidade dele, da cirurgia e dos riscos, corremos mundos e fundos para ajudá-lo, mesmo com as limitações enfrentadas pelo município”, conta a ACS.

“Nessa unidade eles brigam pelo paciente”, diz Aliene. Como reforça a superintendente, a intenção não é fazer apenas pelas pessoas com DF, mas por qualquer um que necessite. “Como diz Maria Zenó, a questão não é fazer um SUS (Sistema Único de Saúde) diferenciado para essas pessoas. Mas, dentro dos casos de prioridade, elas estão inseridas e devem ter os mesmos direitos como qualquer outra, como acesso e exame no momento oportuno. São pacientes que não têm condições de esperar, então é ver o caso e resolvê-lo mais precocemente”, afirma.

A coordenadora do processo de Promoção de Ações Educativas do Linha de Cuidados, Aline Batista, destaca a satisfação de perceber os resultados na Unidade. “Nosso trabalho é apoiar os facilitadores, por isso é gratificante ver que a proposta do projeto está chegando ao objetivo final, que é melhorar a condição de vida das pessoas com doença falciforme”, conclui.

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