Belo Horizonte (25/01/07) - Diferentemente de 2006, quando priorizou a capacitação de profissionais de saúde em Minas Gerais, o Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG) concentrará esforços, este ano, no treinamento de familiares de doentes falciformes e nas faculdades de Medicina e Enfermagem do estado.
“Não
há muito a preocupação de intensificar os treinamentos
em número, mas focar mais nas famílias, que não foram
afetadas diretamente pelos treinamentos no ano de 2006”, observou
a supervisora técnica do Cehmob, Milza Cintra Januário.
Em 2007, o Cehmob-MG concentrará esforços em atividades para as famílias e pessoas com doença falciforme, bem como treinamentos para o mundo acadêmico. “Também ficou definido fazermos (treinamentos) para as faculdades de Medicina e para as escolas de Enfermagem do estado, pois em todo evento que foi aberto para participação de acadêmicos no ano passado houve grande interesse”, afirmou a supervisora.
De acordo com ela, o Cehmob não deixará de contemplar demandas que surgirão no decorrer no ano. “Além disso, há aquelas demandas específicas no decorrer do ano, que nos interessam muito. Um exemplo disso foi aquele treinamento que fizemos para a equipe do PAM/Saudade. E, ainda nesse primeiro semestre, devemos fazer um no Hospital Mater Dei”, informou Milza Cintra.
O
Cehmob promoveu, entre 2005 e 2006, três treinamentos destinados a
profissionais de saúde no atendimento de urgência para doença
falciforme. A iniciativa contemplou as 13 macrorregiões de Minas
e contou com a participação de 2.436 profissionais, sendo
2.078 entre médicos e enfermeiros, de 435 municípios.
Segundo
Milza Cintra, os treinamentos foram fundamentais na divulgação
do Protocolo de Atendimento aos Eventos Agudos da Doença Falciforme,
elaborado pela equipe técnica do Cehmob. “Um dos grandes objetivos
do treinamento foi alcançado, que foi a divulgação
do protocolo, pois ele deve estar presente em todos os locais de atendimento
das pessoas com a doença falciforme. Os treinamentos, então,
foram muito alem do que eu imaginava”.
De acordo com Milza, o efeito prático dos treinamentos pôde ser verificado pelo depoimento de Maria da Penha Correia Silva, mãe de uma criança com doença falciforme, em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Confira um trecho da carta que ela enviou ao Cehmob:
" (...) Dessa vez os enfermeiros, até mesmo os técnicos
de enfermagem, residentes de Medicina e os médicos (professores)
estavam cientes, mais seguros sobre Anemia Falciforme. A enfermeira, ao
aplicar a medicação, estava mais amiga, solidária,
e tentava acalmá-lo, já que é uma criança agitada,
e dizia: ‘Sabe, mãe, agora eu entendo um pouco mais sobre a
dor que ele sente. Oruam, a tia vai fazer a medicação bem
devagarinho” (já que era injetável). (...) após
a medicação meu filho, já sem dor, comentou: ‘Mãe,
a tia hoje fez o remédio devagarinho, assim não doeu tanto.
Mãe, a tia tá mais boazinha’, (a tia é a técnica
de enfermagem) (...) Esta pequena mudança devemos ao treinamento
do dia 6 de outubro, em Juiz de Fora, que vocês do Cehmob vieram à
nossa cidade atualizar ou treinar os nossos profissionais (...)”.