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| A pesquisa da hematologista Célia Maria Silva foi premiada no V Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme |
Belo Horizonte (21/12/09) - A hematologista Célia Maria Silva, membro do grupo técnico do Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG) defendeu, na última segunda-feira, dia 14, sua tese de doutorado intitulada “Rastreamento de crianças com doença falciforme pelo doppler transcraniano em uma coorte de pacientes triados pelo Programa Estadual de Triagem Neonatal de Minas Gerais e acompanhadas no Hemocentro de Belo Horizonte - Brasil”. Aprovada por especialistas da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade Federal de São Paulo e da Universidade Federal Fluminense, a tese é resultado de um estudo já premiado em dois congressos da área – o Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias e o Congresso da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia.
Iniciada em 2002, a pesquisa verificou a incidência de acidente vascular cerebral (AVC) e de doppler transcraniano alterado - além de possíveis fatores de risco - em 271 crianças com doença falciforme acompanhadas pelo Ambulatório do Hemocentro de Belo Horizonte da Fundação Hemominas. O AVC é uma complicação comum na doença falciforme - cerca de 11% dos pacientes sofrem acidente vascular até os 20 anos de idade -, e o doppler - método de diagnóstico por imagem de baixo custo, não-invasivo, bem tolerado pelos pacientes e sem riscos - tem importante papel na prevenção a esse evento vascular.
“O acompanhamento das crianças com realização do doppler dos dois aos 16 anos de idade permite identificar crianças e adolescentes com alto risco de desenvolver o AVC e estabelecer tratamento preventivo. Assim, o rastreamento dessas crianças de risco deve ser disponibilizado de forma universal nessa faixa etária, o que permitirá a redução das complicações decorrentes do AVC e suas sequelas, com melhoria da assistência integral a esses pacientes”, explicou a pesquisadora. Segundo a hematologista, a análise cuidadosa desses registros permite o diagnóstico de diversas doenças e disfunções. Além disso, o doppler permite o estudo em tempo real da circulação intracraniana e o diagnóstico em curto espaço de tempo, podendo ser repetido várias vezes, com a vantagem de não exigir preparo prévio do paciente.
A pesquisa mostrou ainda que exames hematológicos relativamente simples podem indicar os fatores de risco de AVC. “O trabalho mostrou que as crianças com menor nível de hemoglobina basal e leucometria elevada e, principalmente, maior índice de hemólise apresentam maior risco de desenvolvimento de teste alterado e AVC. Estes exames hematológicos e o teste de ultrassom transcraniano podem ser oferecidos pelos ambulatórios dos Hemocentros sem grandes custos e com segurança através de planejamento e parcerias entre Nupad, Hemominas, SES (Secretaria de Estado de Saúde) e secretaria municipais de saúde”, destacou.
Componente da banca que avaliou a tese, a sub-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde - Saúde da Criança e do Adolescente, Ana Cristina Simões e Silva, ressaltou a importância científica da pesquisa e de sua aplicação na prática clínica. “A análise sistemática da aplicação desse exame em pacientes oriundos de triagem neonatal foi realizada muito poucas vezes na literatura e nenhuma vez em nosso país”, declarou a especialista. “Essa pesquisa tem impacto social evidente, pois a partir dela tornou-se possível a realização do doppler transcraniano para os pacientes com doença falciforme de Minas Gerais. Este fato terá certamente um papel transformador na abordagem desses pacientes, pois permitirá a detecção das crianças com risco aumentado para AVC e, com isso, tornará possível a adoção precoce de medidas preventivas que diminuirão a morbimortalidade decorrente dessa grave complicação da doença”, concluiu.
Com a defesa de sua tese, Célia Maria Silva se tornou Doutora em Saúde da Criança e do Adolescente pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG.