| Acervo Cehmob-MG |
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| A equipe do Projeto Aninha comemorou o aniversário de Adaíres no hospital |
Belo Horizonte (18/01/10) - Uma gestante com doença falciforme residente no Pará - que, devido a complicações da enfermidade, foi encaminhada para Belo Horizonte para ser submetida a uma cirurgia de pulmão - está sendo acompanhada pela equipe do Projeto Aninha desde o mês de outubro. Residente desde a infância no Pará, a goiana Adaíres dos Santos Brandão, de 33 anos, chegou à capital mineira em julho encaminhada por seu plano de saúde para a cirurgia, e descobriu, durante os exames, que estava grávida havia dois meses. A partir da sugestão de uma hematologista e de uma obstetra do hospital onde está internada desde novembro, a gestante procurou o Projeto.
Executado pelo Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG), o Projeto Aninha é voltado para o acompanhamento multidisciplinar das gestantes com doença falciforme, investiga a evolução da gravidez dessas mulheres, e busca compreender suas necessidades, anseios e receios, além de realizar pesquisas científicas para aprimorar o atendimento às pacientes.
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Pelo menos duas vezes por semana, a gestante tem a visita de membros da equipe multidisciplinar, que oferecem apoio psicológico e nutricional. A nutricionista Michelle Alves destaca que o suporte dado à paciente é essencial na gravidez de alto risco e acaba servindo de aprendizado para a equipe. “O Projeto Aninha visa, principalmente, o acolhimento das pacientes. A experiência do caso da Adaíres nos tem aberto os olhos para outras coisas muito importantes que temos que implementar, como acompanhantes, e também pensar em como o acolhimento é importante para a qualidade de vida da paciente”, explica a nutricionista. “Temos tentado estratégias de acolhimento que melhorem o bem-estar da paciente, e o apoio da equipe é fundamental para o bom andamento da gravidez”, completa.
Adaíres Brandão conta que a notícia da gravidez, num primeiro momento, trouxe muita preocupação, pois ela havia perdido cerca de 30 kg com a cirurgia - não estava se alimentando direito e tomava muitos medicamentos. Nesse contexto, o acompanhamento da equipe multidisciplinar do Projeto Aninha foi essencial para que ela se sentisse mais tranquila e confiante. “Foi a melhor coisa que me aconteceu, pois fui muito bem recebida e me deram todo o apoio que eu precisava. A atenção da equipe é fantástica, e foi muito importante, porque eu estava abandonada - pois meu marido mora e trabalha no Pará - e, com eles, tive apoio psicológico, alimentar, de companheirismo, e muito aprendizado sobre a gravidez com doença falciforme”.
De acordo com a futura mamãe, o contato com outras pessoas com doença falciforme, principalmente as gestantes, também foi um ponto muito positivo nesse contexto. “Conheci outras pessoas com a doença e troquei muitas informações. Além disso, muitas delas, apesar das dificuldades, eram muito alegres e aumentavam bastante o meu astral. Essa convivência foi uma lição de vida, e algumas pessoas passaram a servir de exemplo para mim”, concluiu a gestante..