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Projetos de pesquisa de mestrado abordam a gravidez na doença falciforme

Ismael dos Anjos
Vanessa Fenelon e Patrícia Cardoso (primeiras da esq. para a dir.) farão o mestrado inspiradas no Projeto Aninha

Belo Horizonte (10/02/10) - Duas médicas envolvidas no Projeto Aninha - iniciativa do Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG) voltada para o acompanhamento multidisciplinar das gestantes com doença falciforme - iniciam, neste ano, o curso de mestrado em Saúde da Mulher da Faculdade de Medicina da UFMG, desenvolvendo pesquisas relacionadas à gravidez na doença falciforme. A obstetra Vanessa Maria Fenelon da Costa, do Hospital Odilon Behrens, e a hematologista Patrícia Santos Resende Cardoso, da Fundação Hemominas, aproveitarão seu trabalho com as gestantes do Projeto Aninha e os dados clínicos de suas pacientes para a realização de pesquisas que podem levar ao aprofundamento do conhecimento das particularidades da gestação na doença falciforme, e contribuir para incorporar novas técnicas e procedimentos às rotinas dos serviços de pré-natal de alto risco - um dos objetivos centrais do Projeto.

A obstetra Vanessa Fenelon, que participa do Projeto desde 2007, pretende realizar um estudo prospectivo com o objetivo de comparar as gestantes com doença falciforme a um grupo controle de gestantes sem a enfermidade, em relação às complicações maternas e fetais. “Conhecendo bem a doença e suas complicações, melhoramos os cuidados a essas gestantes. E o que observo - e já é conclusão  de alguns estudos - é que, quando uma paciente é bem acompanhada, a gestação interfere pouco na doença. Nesse sentido, o Projeto Aninha é primordial para o acolhimento das pacientes”, destacou a médica.

Participando do Projeto desde o início de 2008 - no qual realiza o acompanhamento hematológico das gestantes -, Patrícia Cardoso destaca que a construção dessas pesquisas será importante para a produção de conhecimentos sobre a gestação na doença falciforme e para guiar as práticas da equipe multidisciplinar, visto que, antes do Projeto Aninha, “não havia uma rotina padronizada do atendimento a essas gestantes, e apenas um terço das pacientes conseguiam acesso ao pré-natal de alto risco”. “O Projeto tem como objetivo central compartilhar, com os profissionais de saúde que lidam com gestantes com doença falciforme, conhecimentos relativos aos diversos cuidados necessários para um atendimento adequado”, explicou.

Em seu estudo, a hematologista acompanhará as gestantes com doença falciforme desde o início do Projeto Aninha, em janeiro de 2008, e, prospectivamente, as gestantes atualmente atendidas no Hemocentro de Belo Horizonte e em maternidades de pré-natal de alto risco até dezembro de 2010, correlacionando seus dados hematológicos com os dados clínicos, a fim de verificar sua evolução e tentar melhorar os resultados materno-fetais. A partir disso, ela pretende descrever o perfil dessas gestantes, a frequência de eventos agudos, as abordagens obstétricas realizadas, as possíveis associações dos haplótipos de gene com as manifestações clínicas e com a evolução da gravidez, além de realizar o estudo familiar.

Milza Cintra Januário, supervisora técnica do Cehmob-MG e do Projeto Aninha, destaca que as duas pesquisas darão maior “relevância acadêmica” para o Projeto e oferecerão novos saberes sobre a gestação na doença falciforme. “Isso é importante por ser um reconhecimento da Universidade para a importância do Projeto. Além disso, ele aumentará a disponibilidade das médicas para o Projeto, permitindo maior flexibilidade e tempo para a coleta de dados importantes para a produção de conhecimentos sobre a gestação na doença falciforme”.