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Nupad recebe profissionais de saúde do Senegal para capacitação em doença falciforme

Vinicius Utsch
As profissionais senegalesas ficarão 30 dias em treinamento no Nupad

Belo Horizonte (11/03/10) - Duas profissionais de saúde do Senegal participam, durante todo o mês de março, de um programa de treinamento em doença falciforme coordenado pelo Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad/FM/UFMG). Parte do Projeto de Cooperação Técnica e Científica Brasil/Senegal para a Doença Falciforme, a iniciativa inclui o treinamento da bioquímica Philomene Lopez Sall e da técnica superior de laboratório Ndéye Khady Kébe no Laboratório de Triagem Neonatal para Hemoglobinopatias do Nupad e a realização do curso Diagnóstico Laboratorial das Hemoglobinopatias, na Faculdade de Farmácia da UFMG. Além disso, está prevista uma série de visitas técnicas - incluindo o Laboratório de Genética e Biologia Molecular e o Setor de Controle do Tratamento do Nupad, e o Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG) - que serão importantes para a contextualização do Programa Estadual de Triagem Neonatal.

Iniciado durante o seminário internacional sobre doença falciforme realizado em Dakar, capital do Senegal, em outubro de 2007, o projeto de cooperação firmado entre brasileiros e senegaleses já contou, em uma semana de maio de 2008, com uma visita técnica de médicos e biólogos do país da África Ocidental às instalações das unidades envolvidas no Programa Estadual de Triagem Neonatal (PETN-MG). O médico senegalês Ibrahima Diagne, que esteve presente naquela oportunidade, ressaltou que o Brasil é um exemplo na triagem, pois, há tempos, sanou problemas similares aos que Senegal enfrenta atualmente. "Não temos um programa de triagem nacional como o do Brasil, no entanto, a incidência da doença é cinco vezes maior. Queremos implementar essa tecnologia e assistência no nosso país", destacou.

De acordo com a bioquímica Philomene Lopez Sall, que está de volta ao Nupad após a primeira visita técnica, houve muitos avanços após o primeiro contato com o PETN-MG, principalmente no sentido de sensibilizar as autoridades de saúde do Senegal para a necessidade do estabelecimento de um plano nacional para o controle da doença. “Na primeira oportunidade, ficamos apenas uma semana para ter uma ideia sobre o programa mineiro. A partir disso, junto a outros profissionais e autoridades de saúde, realizamos um workshop para a reflexão sobre a importância da criação de um programa de triagem neonatal para doença falciforme e de um centro de referência no Senegal”, destacou a bioquímica.

O objetivo, desta vez, segundo as profissionais em treinamento, é ter conhecimento mais aprofundado das técnicas laboratoriais e práticas do programa, incluindo o controle do tratamento, para formar as bases para um programa de triagem senegalês. “Não temos como chegar ao nível de qualidade e cobertura do programa de Minas Gerais, que tem um programa muito ambicioso para nós, mas vamos aprender as técnicas e nos inspirar nele como referência para criar um programa de triagem em escala nacional no Senegal”, ressaltou a especialista. A partir desse treinamento, as profissionais esperam organizar cursos para formação técnica de profissionais de saúde do Senegal, e discutir com as autoridades de saúde o início de uma “triagem focada”, realizando a triagem neonatal apenas para as crianças cujas mães apresentarem a doença ou o traço falciforme em testes durante o pré-natal - “uma forma de aproveitar os escassos recursos do país no controle da doença”, segundo a bioquímica.