| Denise Reis |
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| Para a médica Joice Aragão de Jesus, "a data é uma oportunidade para dar mais visibilidade à doença falciforme" |
Belo Horizonte (07/07/10) - Há 100 anos, foi conhecido o primeiro relato científico da doença falciforme - doença genética de maior prevalência no Brasil. Para celebrar os avanços que propiciaram longevidade e qualidade de vida às pessoas com a condição - principalmente nos últimos cinco anos, com a implementação da Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme -, e visando dar mais visibilidade à doença, o Ministério da Saúde e a Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doenças Falciformes (Fenafal) lançaram na última quarta-feira, dia 30 de junho, a campanha nacional 100 Anos de Diagnóstico da Doença Falciforme.
Com apoio técnico e institucional do Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG) e do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad/FM/UFMG) - órgão que faz o diagnóstico e acompanhamento dos pacientes em Minas -, o evento realizado na Faculdade de Medicina da UFMG foi transmitido em tempo real via internet para unidades de saúde, associações e outras instituições de várias partes do Brasil. Segundo a médica Joice Aragão de Jesus, coordenadora da Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias, a escolha de Minas Gerais se deve ao pioneirismo do Cehmob-MG nos cuidados às pessoas com a doença. “Essa instituição tem um status muito representativo para Minas e para o Brasil não apenas por ser a primeira a apresentar um projeto ao Ministério da Saúde nesse sentido, mas pelo que representa para a política de atenção integral e seu nível de qualidade, sendo um modelo para outros programas do Brasil”, ressalta a médica.
| Divulgação |
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| Cartaz faz parte da campanha dos 100 anos de diagnóstico da doença |
A representante do Ministério da Saúde destaca que a campanha é importante para ampliar as conquistas da política de atenção integral. “A data é celebrada em todo o mundo, é um marco histórico. Resolvemos aproveitá-la como oportunidade para dar mais visibilidade à doença e mostrar como o acompanhamento desses pacientes está disponível no Sistema Único de Saúde”, explica a representante do Ministério da Saúde. E, com esse objetivo de “popularizar” noções sobre a doença junto à sociedade e sensibilizar profissionais de saúde e autoridades para a necessidade da atenção integral a esses pacientes, durante a solenidade, foi lançado o site da campanha, e apresentadas as peças publicitárias - folder, cartazes, outdoors e banners, cujos personagens são pessoas com a doença - que ajudarão a colocar essa questão de saúde pública em evidência.
Celebrando os avanços
No Brasil, os maiores avanços, segundo Joice Aragão, ocorreram nos últimos cinco anos, pois a política de atenção trouxe visibilidade para a doença, ampliação da rede de assistência, atualização dos procedimentos no SUS - com a aplicação dos resultados das novas pesquisas sobre o assunto -, e uma repercussão positiva internacional do trabalho do Brasil nesse sentido. “A partir da portaria que estabelece essa política, avançamos, junto ao controle social - representantes da sociedade civil organizada, que são essenciais nesse processo - e aos gestores de saúde, no sentido da legalização do cuidado, levando informação para todo o Brasil, que, por causa disso, hoje, possui núcleos de trabalho em todos os estados”, disse a médica. “Esses avanços são essenciais para ampliar o cuidado integral a essas pessoas, promovendo mais saúde e qualidade de vida”, acrescentou.
Para a representante da Fenafal, Ana Palmira dos Santos, a campanha vai celebrar e potencializar os avanços da política de atenção integral, principalmente no sentido de visibilizar a doença e as necessidades das pessoas com a condição, e é importante para a capacitação dos profissionais de saúde para os cuidados a esses pacientes. “Há cinco anos, a doença vem sendo um pouco mais visibilizada, apesar de a maioria das pessoas ainda não ter ouvido falar dela. Na medida em que as pessoas conhecem e falam da doença falciforme - que é um dos objetivos da campanha -, é que os profissionais vão estar atentos para se preparar e se qualificar para cuidar desse paciente”, explica Ana Palmira. “Então, essa campanha dos 100 anos vem responder um anseio da federação e das associações de pessoas com a doença, que é de dar publicidade a essa questão”, finaliza a representante do controle social.