Belo Horizonte (04/06/07) - Os recursos financeiros destinados pelo Ministério da Saúde às ações de atenção às pessoas com doença falciforme e outras hemoglobinopatias têm aumentado, gradativamente, a cada ano. O volume passou de R$ 5,4 milhões, aplicados em 2004, para R$ 9,2 milhões, que serão investidos em 2007.
Em 2005, as ações voltadas para pessoas com doença falciforme receberam investimentos no valor de R$ 6,8 milhões. No ano passado, o montante subiu para R$ 8,3 milhões. Esses recursos são oriundos da Coordenação da Política Nacional do Sangue e Hemoderivados do ministério, que recebe em torno de R$ 300 milhões por ano, dos quais R$ 230 milhões são destinados à compra de hemoderivados, fundamentais para atender os 11 mil hemofílicos no Brasil. Outra parte é investida em equipamentos e estruturação e reforma da hemorrede.
Segundo a coordenadora da Política Nacional de Atenção Integral às pessoas com Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias do Ministério da Saúde, Joice Aragão de Jesus, o crescimento no volume de recursos demonstra que está havendo investimentos na atenção aos pacientes com doença falciforme.
“O fato de estarmos executando todo o recurso destinado, e a cada ano aumentando esse recurso, quer dizer, efetivamente, que a gente está investindo na atenção às pessoas com doença falciforme”. Segundo a médica, os recursos são aplicados em ações que vão desde capacitação de profissionais de saúde até realização de fóruns, como o Encontro Mineiro e Fórum Nacional de Políticas Integradas de Atenção às Pessoas com Doença Falciforme, que será promovido pelo Cehmob-MG, entre 6 e 9 de junho, em Belo Horizonte, com o patrocinado do Ministério da Saúde.
De acordo com as demandas do Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde investe, também, em pesquisa. Para saber, por exemplo, se o acréscimo de ferro nas farinhas de trigo e milho para combater a anemia ferropriva (deficiência de ferro), um problema nutricional importante da população brasileira, afeta as pessoas com doença falciforme, é preciso elaborar um estudo.
“Em princípio, há um consenso de que não (atinge
as pessoas com doença falciforme), mas não temos um trabalho
consistente. Daí a necessidade de financiarmos uma pesquisa para
atendermos a essa questão”, afirmou Joice Aragão. Segundo
a coordenadora, os recursos são distribuídos de acordo com
a demanda de cada estado e, neste momento, atendem à demanda do setor.
“Eu considero satisfatório o cenário financeiro. Não
acho que a gente tenha de pleitear novos recursos, neste momento.”