| Ismael dos Anjos |
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| As atividades ocorreram no município de Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte |
Belo Horizonte (07/10/08) - No dia 2 de outubro, última quinta-feira, o Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG), participou de um evento de capacitação em Doença Falciforme (DF) voltado para professores da rede pública de Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. O convite surgiu a partir do trabalho “Anemia e Traço Falciforme: Programa de Capacitação de Docentes da Rede Pública de Ensino do Município de Vespasiano - MG”, apresentado por quatro alunas da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (FASEH) como projeto de conclusão do curso de Bacharel em Enfermagem.
Uma das autoras do projeto, Caroline Franco, explica como surgiu a proposta. “Estávamos estagiando em um hospital pediátrico, e nos deparamos com algumas das situações enfrentadas por crianças com DF. Algumas ficavam até seis meses internadas, e, com isso, os próprios familiares ficavam desestimulados a mandar essas crianças para a escola, pois acabam perdendo alguns anos letivos”.
Ao verificarem os índices da doença em Vespasiano - conforme dados do NUPAD são 784 as crianças portadoras do traço falciforme e 11 com o diagnóstico da doença,as alunas decidiram voltar o foco do trabalho para esta parcela da população do município. “Fizemos um questionário sobre a anemia falciforme, e distribuímos nas escolas. Durante a análise das respostas, descobrimos que os professores não estavam preparados para lidar com a doença, nem sabiam se algum aluno a possuía”, explica Caroline. A partir daí concebeu-se a idéia da capacitação, que, voltada especificamente para os docentes que lidam com as crianças cotidianamente, abordou a patologia tanto sob os aspectos clínicos quanto em relação aos cuidados de que as crianças necessitam.
| Ismael dos Anjos |
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| Dra. Milza Cintra Januário, que ministrou palestra sobre o Cehmob-MG |
A enfermeira Angelita Pires, mãe de um paciente com doença falciforme, foi uma das palestrantes. Ela contou aos presentes sobre as experiências que adquiriu na educação de seu filho, Pedro, e explicou qual o ideal a ser perseguido em relação à educação das crianças com DF. “Nós queremos que eles sejam meninos normais, que se socializem, mas temos que criar condições para isso. Se não reforçarmos a questão da educação, para que estes meninos tenham melhores condições de vida, ou uma profissão, eles não terão futuro”. Para que isso ocorra, aponta Angelita, a escola tem que ser um espaço de atuação conjunta de educadores, famílias e comunidade, incluindo os profissionais de saúde.
Milza Cintra Januário, supervisora técnica do CEHMOB-MG e também palestrante da capacitação, corrobora a importância dos esforços conjuntos. “Inicialmente foi um pedido de ajuda, em termos de material e de informação. Quando vimos que era um trabalho que já pretendíamos fazer, voltado para a educação em relação à doença falciforme, juntou a fome com a vontade de comer”. Milza explicou ainda que participar de eventos como esse fazem parte da concepção do centro, e, por isso, existe o interesse na produção de projetos em longo prazo, a serem executados de modo contínuo.
É importante salientar que o objetivo da capacitação, que também contou com a participação da Fundação Hemominas, é de que as informações não se restrinjam aos professores e alunos presentes ao evento, mas que essas pessoas possam atuar como catalisadores, divulgando os conhecimentos adquiridos nas escolas e em suas respectivas comunidades.