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Doença falciforme ganha espaço em rede nacional

Ilustrativo

Belo Horizonte (17/10/08) - A nova novela das seis da Tv Globo, "Negócio da China", trouxe uma boa notícia a pacientes e profissionais de saúde que lidam com a doença falciforme (DF), e fazem parte da luta por tornar a patologia mais conhecida na sociedade. Nos capítulos veiculados nos dias 11 e 14 de outubro, respectivamente sábado e terça-feira, a emissora exibiu duas cenas com a história da adolescente Bárbara, que recebe o diagnóstico de DF de uma das personagens do núcleo hospitalar da novela. A exibição em rede nacional confere visibilidade à questão, e é encarada como uma importante conquista dos atores envolvidos.

Paulo Ivo Cortez de Araújo, coordenador do Programa Estadual de Doença Falciforme do Rio de Janeiro, foi quem intermediou o processo. "Eu agendei uma reunião com a Zezé Motta, que além de atriz é Superintendente de Igualdade Racial no Rio De Janeiro, para discutir ações para a DF. Nesse contato, expliquei a nossa luta em torno da visibilidade. Ela se comprometeu com a causa, e acabou falando sobre o tema com o Miguel Falabella (autor da novela)". Paulo Ivo, que forneceu informações para a construção da personagem, gostou das cenas. "A forma como a doença é retratada está sendo muito interessante, e as informações foram precisas. Foi explicado, inclusive, que com tratamento e acompanhamento corretos a pessoa pode ter uma boa qualidade de vida".

O presidente da Federação Nacional das Associações de Doença Falciforme (Fenafal), entidade que reúne associações de pais, amigos e pessoas com doença falciforme, o cientista social Altair Lira, também assistiu e aprovou os capítulos. "Foi um sonho realizado, pois tanto a televisão como o cinema tem sido veículos com repercussões sociais extremamente relevantes. Como quando outras novelas focaram nas questões de leucemia e síndrome de down, por exemplo". No entanto, Altair salienta que o momento atual é propício para, a partir da exposição inicial, ampliar ainda mais a visibilidade. "Num primeiro momento, estamos trabalhando dentro das associações e dos parceiros com a informação, mobilizando as pessoas para que enviem e-mails parabenizando a iniciativa, pedindo para que se aumente o papel da personagem. As associações também estão, inclusive, se articulando com as retransmissoras, para agendar entrevistas e outros tipos de coberturas".

De acordo com os dois, a expectativa é de que a mobilização se mantenha, incluindo neste contexto outras mídias e atores, como blogs e o movimento negro. Segundo Altair, as pessoas estão muito sensibilizadas e emocionadas com a divulgação, e a intenção é a de que, com a informação circulando por todo o Brasil, o olhar do público se amplie. Milza Cintra Januário, supervisora técnica do Cehmob-MG, corrobora essa visão. "Nós do Cehmob estamos muito satisfeitos, pois a divulgação vai de encontro ao trabalho que desenvolvemos junto à população, só que com um alcance muito maior".