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Cehmob-MG desenvolve guia sobre doença falciforme para o serviço de urgência


Belo Horizonte (27/04/07) - A partir de uma demanda da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, o Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG) desenvolveu o guia “Doença Falciforme: Sinais de Alerta nos Eventos Agudos”, cuja função será orientar profissionais de saúde envolvidos no atendimento de urgência a pessoas com doença falciforme.

De forma prática e objetiva, o guia informa a conduta a ser adotada pelo profissional ao se deparar com uma pessoa com doença falciforme, que requer cuidados específicos em casos agudos. Além disso, ele indica os sinais de alerta e quais exames precisam ser realizados. Caso ainda haja dúvida, o guia orienta o profissional a recorrer ao Cehmob-MG Atende, serviço on-line gratuito, o chamado call center, com atendimento 24 horas pelo número 0800-722-6500.

Segundo Maria Cecília de Souza Rajão, coordenadora da Saúde do Adulto e do Idoso da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, o profissional se sentirá, com a utilização do guia do Cehmob-MG, mais seguro ao lidar com esses pacientes, sem correr o risco de não se lembrar da conduta correta.

De acordo com a supervisora técnica do Cehmob-MG, Milza Cintra Januario, o guia é fruto de trabalho exaustivo do grupo técnico do Cehmob-MG, e contou com a contribuição de profissionais ligados à doença falciforme de outros estados. A médica explicou que o guia de orientações não se restringirá a Belo Horizonte, mas será adotado em todos os municípios mineiros.

Milza Cintra lembrou que o profissional nem sempre pode consultar o Protocolo de Atendimento aos Eventos Agudos da Doença Falciforme, desenvolvido pelo grupo técnico do Cehmob-MG, e muitas vezes não tem acesso à internet durante o atendimento de urgência. “Os apertos que o profissional passa no atendimento de urgência são grandes. Na hora do plantão não tem internet. Agora ele terá as informações afixadas na parede”.

Representante da Secretaria Municipal de Saúde no comitê gestor do Cehmob-MG, Cecília Rajão disse que a preocupação em melhorar o atendimento às pessoas com doença falciforme já vem há mais tempo. Em agosto de 2004, ela participou de um seminário nacional sobre a saúde da população negra, promovido pelo Ministério da Saúde e Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Social (Seppir), em Brasília, quando se abordou a necessidade de se estruturar a atenção integral à anemia falciforme no País.

Desde então, outras ações, como o estreitamento das relações com a Secretaria de Estado de Saúde, abriram caminhos para se organizar, em Belo Horizonte, o atendimento de urgência voltado ao paciente com doença falciforme. Cecília Rajão acredita que o guia de orientações será o ponto central para que esses pacientes tenham segurança ao recorrer ao serviço de emergência na capital.

O guia do Cehmob-MG será afixado nos 140 Centros de Saúde e sete Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) que compõem a rede de atendimento de urgência de Belo Horizonte, além de hospitais que oferecem serviço de emergência pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Aliado a essa iniciativa, a meta é diminuir a distância entre a pessoa com doença falciforme e o profissional de saúde. Para isso, a Secretaria terá em mãos o mapeamento desses pacientes, para que eles possam receber atendimento no centro de saúde mais próximo à sua casa. “Queremos que todo menino com doença falciforme seja conhecido no centro de saúde, e ele vai ter um tratamento diferencial porque é um paciente de risco”, observou Cecília Rajão.

Outra iniciativa prevista pela Secretaria Municipal de Saúde, segundo a médica, será a capacitação, em parceria com o Cehmob-MG, de profissionais de saúde da rede de urgência de Belo Horizonte - especialmente pediatras, generalistas, clínicos e enfermeiros – sobre a conduta adequada para a doença falciforme.