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A atenção integral no Programa Estadual de Triagem Neonatal de Minas Gerais

Ismael dos Anjos
Fabiana e Keyheson posaram para foto na Brinquedoteca Espaço Lúdico, do CEAPS

Belo Horizonte (20/05/09) - Implantado em 1998, o Programa Estadual de Triagem Neonatal do Estado de Minas Gerais (PETN-MG) para a doença falciforme e outras hemoglobinopatias, tem atualmente um total de 2.092 crianças em acompanhamento - todas elas com direito a tratamento multiprofissional, especializado e gratuito. Paciente diagnosticado precocemente através da triagem, Keheyson Kristhian Rosa Gonçalves, hoje com seis anos de idade, é uma destas crianças.

Em visita a Belo Horizonte durante o mês de janeiro deste ano, Keheyson teve, em decorrência de complicações originadas pela doença, um segundo acidente vascular cerebral (AVC) - o primeiro ocorrera quando ele tinha três anos, na cidade do interior de Minas. Atendido inicialmente pela Unidade de Pronto Atendimento Norte, no bairro 1º de Maio, o menino ainda passou alguns dias internado em dois hospitais da capital antes de receber alta. “O caso desta família é um caso de grande importância, particularmente para nós aqui do serviço social. Desde que vieram do município de origem pra cá, eles estavam, inclusive, sem localização conhecida”, explica Ivan Xavier, assistente social do Centro de Educação e Apoio Social do NUPAD (CEAPS).

Depois do episódio com a saúde de Keheyson, Fabiana Rosa Gonçalves, mãe do garoto e de outras duas crianças, decidiu - junto com Jeferson, seu companheiro e padrasto dos filhos - passar a morar na capital mineira. Após um processo de intervenção para a sensibilização da família, a equipe do PETN-MG – composta por membros do NUPAD e do CEHMOB-MG (Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias), que participou das deliberações sobre o caso - passou, então, a lidar diretamente com a questão, coordenando a série de encaminhamentos necessários. Vanessa Carvalho - auxiliar técnico social do Setor de Controle do Tratamento (SCT) do NUPAD -, que trabalha em conjunto com o Serviço Social do CEAPS, detalhou como os recursos das redes de saúde e socioassistencial foram empregados a partir do primeiro contato com os familiares. “Os atendimentos foram - do primeiro contato até hoje - inteiramente realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda hoje, o paciente é acompanhado por uma série de equipes - da Fundação Hemominas, da Unidade de Saúde do bairro Ribeiro de Abreu, do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) da região Nordeste e do NUPAD, por exemplo”.

A pediatra Ana Paula Pinheiro Chagas, supervisora médica do SCT, salienta que a participação de profissionais de todos os níveis de atenção tem um papel preponderante em ocorrências como esta. “A compreensão do profissional de saúde do SUS sobre o papel que ele tem no desencadeamento da história de um determinado paciente é o que proporciona todo o processo de atenção integral. Neste caso, os gatilhos foram acionados pelos profissionais da ponta inicial do processo – da Atenção Básica – e com a ajuda do NUPAD, as ações foram desencadeadas”.

Apesar de ainda lidar com algumas sequelas do segundo AVC - em que perdeu a fala e passou a alimentar-se com o auxílio de uma sonda - Keheyson tem gradativamente apresentado, mesmo em um período curto de tratamento, os primeiros sinais de melhora. Há pouco mais de três semanas voltou a andar, deixando de lado a cadeira de rodas, como conta Fabiana. “A gente que é mãe a gente nunca perde a esperança, mas todos os profissionais falam que a evolução dele está sendo muito rápida. Eu tenho duas crianças que têm doença falciforme e se tem uma coisa que sempre falo para as outras mães é que pode confiar, porque sempre fui bem atendida”. Ivan salienta ainda a importância que a família desempenha para que o acolhimento alcance os resultados desejados. “Hoje, sem a menor sombra de dúvidas, a família tem se empenhado muito. E essa contrapartida é algo muito importante, porque reflete diretamente na boa adesão ao tratamento e no acompanhamento à saúde das crianças”.