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Evasão escolar prejudica a educação das pessoas com doença falciforme


Belo Horizonte (14/05/07) - O acesso à educação será um dos temas relevantes do Encontro Mineiro e Fórum Nacional de Políticas Integradas de Atenção às Pessoas com Doença Falciforme, que ocorrerá entre 6 e 9 de junho, na capital mineira. Nesse contexto, a evasão escolar do paciente com doença falciforme é uma das principais preocupações.

“Primeiramente, a questão da doença falciforme transcende a área da saúde, tendo intersecção com áreas como a do trabalho, da educação, da previdência. Na área da educação, sabemos que a evasão escolar desse público é muito grande, por causa das complicações da doença, daí a importância de se discutir o tema”, disse Ilka Maria do Carmo, advogada especialista em Direitos Humanos.

Ilka do Carmo, diretora-executiva do Instituto Afro Brasil Cidadão, proferirá a palestra “O cotidiano da pessoa com doença falciforme na escola: relato de casos” no evento de junho, promovido pelo Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG).

O presidente da Federação Nacional das Associações de Doença Falciforme (Fenafal), Altair Lira, disse que o afastamento da escola, por causa de cuidados específicos da doença falciforme, prejudica a educação desse paciente.

“A doença envolve uma série de aspectos, como a educação infantil. As crianças que têm as crises da doença devem ser internadas, o que leva a um afastamento da escola, que muitas vezes leva à reprovação. Então, essa criança vai ter uma defasagem no aprendizado que vai refletir no futuro”.

De acordo com Ilka do Carmo, as escolas não cumprem sequer a legislação que ampara as pessoas com doença falciforme. “Apesar de haver uma legislação que garante que toda criança com necessidades especiais deve ser plenamente amparada legalmente para estudar, as instituições não a obedecem, prejudicando as crianças com doença falciforme”, afirmou a advogada.

Questão étnica

A educação será debatida na mesa-redonda “Doença falciforme e educação formal: relações entre a pessoa, a doença e a difusão de seu conhecimento”, que conta, ainda, com a participação do coordenador do Programa de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme do Estado do Rio de Janeiro, hematologista pediátrico Paulo Ivo Cortez Araújo e da diretora técnica da Associação de Anemia Falciforme do Estado de São Paulo, enfermeira Berenice Kikuchi, que fará a função de moderadora.

Ilka do Carmo disse que dará ênfase à questão étnica, uma vez que a incidência da doença falciforme é verificada, em maior parte, na população negra.

“Quando a gente fala de doença falciforme, temos que colocar em que grupo essas pessoas estão inseridas, qual seu lugar na sociedade. E a gente sabe os problemas sociais que a raça negra, que é a mais afetada, enfrenta na sociedade”.

Segundo a advogada, para tratar da educação em doença falciforme é preciso considerar que essas pessoas fazem parte de uma parcela com baixo poder aquisitivo. “Temos que considerar a falta de alimento, que leva à uma dificuldade de aprendizado; a distância que a criança mora da escola, que dificulta o acesso à educação; e quais os problemas que ele enfrenta quando mora em comunidades de alto risco, que também é comum”.

Em relação à expectativa para o Encontro, Ilka do Carmo disse que há muito tempo as pessoas ligadas à causa esperam uma oportunidade para discutir questões relacionadas à doença falciforme. “Minha expectativa é de levantar problemas em outras áreas além da saúde e, a partir disso, dar o pontapé inicial para criar um grupo para encaminhar propostas para melhorar a vida dessas pessoas”.