| Ismael dos Anjos |
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| O Dia de Aninha 2009 contou com diversas atividades lúdicas e educativas, como alongamento e relaxamento |
Belo Horizonte (30/11/09) -O Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG) realizou, na última sexta-feira, evento lúdico e educativo voltado para as mães e gestantes com doença falciforme acompanhadas pela equipe multidisciplinar do Projeto Aninha. Visando o bem-estar, a educação em saúde e a confraternização social, o Dia de Aninha 2009 contou com a presença de 20 participantes do Projeto - além de alguns cônjuges e crianças - em atividades variadas, incluindo alongamento e relaxamento, ensaio fotográfico, teatro de fantoches e palestras sobre as especificidades da gravidez na doença falciforme.
De acordo com psicóloga Mérupe Romanini, uma das coordenadoras do evento, as propostas das atividades foram fruto de dois anos de convivência com as mulheres com doença falciforme no Projeto Aninha, e congregam os interesses e as necessidades das participantes. “Nossa experiência demonstra que estas formas de intervenção favorecem melhor adesão ao acompanhamento do tratamento da doença falciforme, e seu modelo pode ser realizado em outros serviços de saúde”, destacou, em comunicado prévio, a equipe de coordenação do evento.
Entusiasmadas com o evento, as “Aninhas” destacaram a importância do Projeto e do Dia de Aninha como formas de se informar e tirar dúvidas em relação à gravidez na doença falciforme. “O Projeto faz muita diferença para a gestante com doença falciforme, pois aqui ficamos sabendo o que temos; os médicos nos orientam bastante; temos o que precisamos; e podemos contar com eles, tanto psicologicamente, quanto para uma conversa, para o apoio social, tudo”, declarou Rosemary Oliveira, mãe de três filhos - o último acompanhado pelo Projeto. Para Irani Júnia de Oliveira, o Dia de Aninha foi uma oportunidade de troca de informações entre as participantes, e de conhecer a experiência de cada uma. “Acrescenta bastante, e é muito rico para termos mais cuidados com a saúde e uma gestação mais tranquila”, ressaltou.
Mãe de três filhos - um deles com doença falciforme -, Irani de Oliveira conta que, após duas gestações complicadas - com infecções, cansaço, crises respiratórias e muita dor -, o acompanhamento do Projeto Aninha garantiu informações e cuidado necessários para que ela passasse pela gravidez de alto risco com mais tranquilidade. “Na terceira (gravidez), já melhorou, por ter mais informação, mais acompanhamento, muito mais esclarecimento, pois o pessoal do Cehmob e do Projeto Aninha me ajudou muito, e fui orientada a ligar para o call center em caso de qualquer dúvida. Através deles, consegui um pré-natal com mais facilidade, de acordo com minhas necessidades em uma gravidez de alto-risco”, concluiu.
Projeto Aninha
Voltado para o acompanhamento multidisciplinar da gestante com doença falciforme, o Projeto investiga a evolução da gravidez dessas mulheres, e busca compreender suas necessidades, anseios e receios, além de realizar pesquisas científicas para aprimorar o atendimento às pacientes. “A gestação na doença falciforme é um período de grande vulnerabilidade orgânica e psíquica. O acompanhamento multidisciplinar se faz necessário ampliando assim o suporte oferecido pelos serviços de saúde na busca da atenção integral”, destaca a coordenação do Projeto. Até o momento, foram atendidas pelo projeto 57 “Aninhas”, não sendo constatados casos de abortos, apenas dois natimortos.