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Enafal repercute projetos mineiros

03 de outubro de 2009

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reuniao
O Encontro Nacional das Associações de Doenças Falciform acontece no Minascentro, em Belo Horizonte

No primeiro dia de Enafal (Encontro Nacional das Associações de Doenças Falciforme) uma das principais iniciativas apresentadas foi o Projeto Aninha – idealizado pelo Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG) –, que visa orientar hematologistas, obstetras e outros profissionais de saúde com relação às especificidades e os riscos inerentes à gestação em mulheres com doença falciforme, além de acolher e acompanhar as futuras mães com a patologia. “A doença ainda é invisível para os sistemas de saúde e, da mesma forma, a gravidez das pessoas com doença falciforme - que é uma gestação de alto risco - acaba sendo também invisível. E isso, claro, aumenta as chances de morte da mãe e do bebê”, destacou o coordenador técnico do Cehmob-MG, José Nelio Januario.

A partir dessa iniciativa, a equipe multiprofissional do Projeto Aninha produziu este ano dois protocolos clínicos – o obstétrico e o hematológico – para o acompanhamento das gestantes com doença falciforme que, inclusive, já estão sendo adotados por algumas maternidades de Minas. De acordo com Nelio, mais de 60 grávidas com doença falciforme já foram acompanhadas pelo Projeto, gerando, além de bem-estar e qualidade de vida para mães e bebês, dados para duas pesquisas científicas em andamento sobre o tema.

O curso de capacitação de profissionais de saúde da atenção básica para os cuidados às pessoas com doença falciforme, outra experiência do Cehmob-MG - órgão considerado referência para a educação em hemoglobinopatias – também chamou a atenção dos participantes. Utilizando a educação à distância como recurso para capacitar profissionais diretamente no local de trabalho e apoiada por cadernos de estudo de casos reais, a proposta de capacitação tem como objetivo preparar os profissionais de saúde da atenção básica para a atenção às pessoas com doença falciforme - atualmente, os pacientes precisam – quase sempre - procurar os hemocentros para receber atendimento médico especializado.

“O que é interessante nesses projetos é que eles são voltados para a pessoa, e não para a doença falciforme. E quando essas pessoas são o foco da atenção, o centro do cuidado, você articula, exatamente, a discussão de como a política pública deve estar estruturada, criada e planejada para atender essa pessoa”, afirmou Altair Lira, presidente da (Fenafal) Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doença Falciforme.


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