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Estudo sobre uso de novo medicamento em crianças com doença falciforme é apresentado em Simpósio

05 de outubro de 2009

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Winfred Wang: "O estudo, até este momento, mostrou que a hidroxiureia pode ser parte do tratamento nos pacientes falciformesa"

O uso da droga hidroxiureia no tratamento de crianças com doença falciforme foi tema da palestra dos especialistas americanos Winfred Wang e Daniel Armstrong, hoje, dia 05 de outubro, em Belo Horizonte, durante o V Simpósio de Doença Falciforme. O projeto de estudo intitulado Baby Hug começou, nos Estados Unidos, em 2000, com o objetivo de avaliar o uso de hidroxiureia em crianças pequenas e suas implicações. A metodologia do estudo teve, na primeira fase, a participação de 200 crianças de oito centros de doença falciforme americanos. Na fase atual, 14 centros americanos, já participam da pesquisa.

O objetivo do estudo é determinar se o uso de hidroxiureia pode reduzir os efeitos crônicos da doença falciforme em crianças de 9 a 18 meses (lactentes), que ainda não apresentam manifestações severas da doença. Ainda segundo o pesquisador americano, o uso de hidroxiureia possui mecanismos de múltiplas ações no tratamento da doença em adultos com eficácia laboratorial e clínica, o que fez com que surgisse o interesse na administração da droga em crianças, que são acompanhadas com exames como ressonância magnética e protocolos específicos de exames com imagem. Wang explicou que o estudo buscou também verificar a toxicidade da hidroxiureia e sua relação com efeitos da doença tais como: febre, síndrome toráxica aguda, seqüestro esplênico, dactilite e dor. “O estudo, até este momento, mostrou que a hidroxiureia pode ser parte do tratamento nos pacientes falciformes, com o tempo vamos poder verificar se ela pode ser usada no tratamento infantil”, finalizou.

O Projeto Baby Hug engloba também estudos sobre a capacidade intelectual e os aspectos psicológicos das crianças com a doença falciforme, e a palestra apresentada pelo responsável pelo Centro de Doença Falciforme de Miami, Daniel Armstrong, enfatizou exatamente esses aspectos. De acordo com Armstrong a doença falciforme apresenta impactos neurológicos devido a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC), infarto de micro-células, comprometimento pulmonar (que prejudica o transporte de oxigênio para o cérebro) e a presença de síndrome torácica aguda. “Esses fatores geram alteração na função cerebral e no comportamento da criança”, explicou o especialista. Armstrong enfatizou ainda a preocupação com as funções cognitivas das crianças e a apresentação de anormalidades neuropsicológicas.
"As crianças apresentam problemas de déficit intelectual exemplificados pela dificuldade na leitura, no aprendizado da matemática e na falta de atenção durante as aulas”, afirmou.

Iniciados em 1988, os estudos do Projeto Baby Hug comprovaram que os enfartos silenciosos ocasionam lesões cerebrais e, na maioria dos casos, ocasionam um déficit na atenção da criança e em seu desenvolvimento escolar. “A conseqüência para a criança com Doença Falciforme é um rendimento escolar abaixo da média”, disse Armstrong. Durante a apresentação, Daniel Armstrong enfatizou ainda que, com o uso da hidroxiureia em adultos, foi observado a diminuição da dor e da mortalidade, além da melhora na oxigenação do cérebro – o que auxilia nos estudos com as crianças.

Para a hematologista da Fundação Hemominas, Mitiko Murao, com a finalização da pesquisa e com os resultados que serão obtidos “vai ser possível verificar se a hidroxiureia pode ser utilizada pelas crianças, principalmente como prevenção nos sintomas apresentados pelo indivíduo no decorrer de sua vida. A pesquisa é promissora”, salientou a hematologista.



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