05 de outubro de 2009
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| Júnia Mourão, da Fundação Hemominas: "Apesar de todos os serviços que os hemocentros possuem, ainda são poucas as pesquisas com células tronco" |
Ao assumirem o tratamento das pessoas com doença falciforme, a partir dos anos 90, os hemocentros começaram a desempenhar papel fundamental para a saúde e qualidade de vida das pessoas com a doença genética de maior incidência no Brasil, segundo a diretora técnico-científica da Fundação Hemominas, Júnia Guimarães Mourão Cioffi. Em conferência do V Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias - realizado em Belo Horizonte entre os dias 03 e 07 de outubro - a hematologista enfatizou que o acompanhamento pelos hemocentros representou um avanço no tratamento da doença falciforme, com o cuidado de especialistas e início de atendimento multidisciplinar, que resultaram na melhora desses pacientes durante o período intercrises. Além disso, segundo a hematologista, o fato de o tratamento passar a ser realizado pelos hemocentros permitiu a padronização dos protocolos de atendimento, melhorando a sobrevida desses pacientes.
A Fundação Hemominas assumiu o tratamento das crianças diagnosticadas com doença falciforme a partir da triagem neonatal - iniciada em 1998 -, o que, segundo a hematologista, possibilitou a realização dos exames necessários, inclusive a fenotipagem (tipo sanguíneo mais próximo do paciente) no primeiro ano de vida, a imunização (vacinas), profilaxia com penicilina e protocolos de atendimento durante crises de dor. A hematologista alertou, porém, que os protocolos de atendimento para as pessoas com doença falciforme nas urgências e emergências das unidades de saúde ainda podem ser melhorados.
Durante a apresentação, a especialista reafirmou a importância dos hemocentros, não apenas quanto às pesquisas relacionadas à doença, como também na coleta de células tronco-periféricas, realização de testes sorológicos e fenotipagem. E também destacou que o fato de os hemocentros possuírem captação e cadastro de doadores voluntários de medula óssea e fazerem parte da rede Brasilcord, (Banco de Sangue de Cordão Umbilical) do Instituto Nacional do Câncer (Inca), além de possuírem laboratórios que realizam pesquisa com culturas de células e uma equipe capacitada, possibilita que os hemocentros sejam referência no cuidado a estes pacientes.
Júnia Guimarães informou que os hemocentros podem ampliar sua participação, especificamente em relação à terapia celular, no acompanhamento da evolução dos pacientes já submetidos a procedimentos da terapia, nos efeitos encontrados em curto, médio e longo prazo do procedimento e na ampliação do conhecimento da evolução da doença falciforme após a intervenção. “Apesar de todos os serviços que os hemocentros possuem, ainda são poucas as pesquisas com células tronco realizadas por eles. Os hemocentros podem ampliar a sua atuação na doença falciforme com a elaboração e participação de protocolos de pesquisa em pacientes portadores da doença, com foco em terapia celular; realização de estudos multicêntricos; validação de critérios para inclusão dos pacientes em procedimentos de terapia celular; transplante de células tronco e na ampliação de especialidades como ortopedia, cardiologia e neurologia”, concluiu.
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