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Número de transplantes de células tronco para pacientes com hemoglobinopatias ainda é pequeno no Brasil

05 de outubro de 2009

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O pesquisador Vanderson Rocha mostrou, em sua apresentação, que o custo de dois anos de tratamento equivalem ao custo do transplante

As possibilidades de cura para pacientes portadores de hemoglobinopatias por meio do transplante de células tronco hematopoiéticas, presentes na medula óssea, foi um dos destaques da conferência geminada “Terapia Celular e Hemocentros”, realizada na manhã desta segunda-feira no V Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias. Na palestra “Transplante de células tronco hematopoiéticas para as hemoglobinopatias”, Vanderson Rocha, diretor-científico do Eurocord (França), apresentou resultados de estudos que mostram que os transplantes têm curado pacientes, e que os custos desses procedimentos são menores do que o tratamento ao longo da vida. “Fiz os cálculos desses custos na França e no Brasil. O resultado é que pouco mais de dois anos de tratamento já pagam o transplante. O transplante, no Brasil, custa cerca de R$ 60 mil, e um ano de tratamento chega a R$ 25 mil”, disse Rocha.

No entanto, o diretor do Eurocord também chamou atenção para o baixo número de transplantes realizados no Brasil. “No caso da anemia falciforme, por exemplo, no Brasil, que tem uma população maior do que a da França, foram realizados aproximadamente 14 transplantes. Já na França, cerca de 150 pacientes passaram pelo transplante de células tronco”, explicou Vanderson Rocha. Com aproximadamente 20 anos de experiência com esse procedimento, o hospital francês Saint Louis realizou 54 transplantes desse tipo e 53 pacientes foram curados, com apenas uma rejeição.

O palestrante lembrou que, mesmo com os resultados promissores - incluindo os de um paciente que, no início do estudo, foi curado de leucemia e drepanocitose após o transplante de medula -, o Ministério da Saúde brasileiro ainda não regulamentou a inclusão da doença falciforme na lista de indicações de transplantes. Os pacientes transplantados no país fazem parte de experiências realizadas por centros especializados.

De acordo com Vanderson Rocha, para a realização dos transplantes, ainda há a importante questão da indicação. O pesquisador lembra que os pacientes transplantados vão passar por quimioterapia, o que acarreta efeitos colaterais e pode trazer complicações, inclusive morte. Por isso, para realizar o procedimento, é preciso levar em consideração diversos pontos que podem afetar a qualidade de vida do paciente. “É importante que existam estudos de qualidade de vida de pacientes que fizeram o transplantes e dos que fazem o tratamento específico para a hemoglobinopatia”, pontuou.


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