05 de outubro de 2009
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| De acordo com o médico Paulo do Val Rezende, da Fundação Hemominas, o atendimento aos pacientes com doença falciforme ainda é cheio de obstáculos |
Hematologista da Fundação Hemominas, Paulo do Val Rezende ministrou hoje, 5 de outubro, a palestra “Mortalidade por seqüestro esplênico agudo e a organização dos serviços de atenção à doença falciforme”, dentro da mesa redonda “Doença falciforme na criança e no adolescente (1)”. A apresentação do médico encerrou uma série de palestras cujos temas se concentraram na área de análises e estudos realizados com crianças e adolescentes que têm doença falciforme.
Para introduzir o tema, o especialista fez uma pequena revisão sobre aspectos históricos da doença falciforme, e falou sobre a ocorrência do sequestro esplênico nos portadores da doença. Durante a fala, Rezende levantou questões essenciais sobre os avanços ocorridos e desafios que ainda existem no atendimento e tratamento dos pacientes, além de ressaltar pontos específicos dos casos de seqüestro esplênico agudo (SEA) em crianças. “Nós acompanhamos, de 1º de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2004, 255 crianças diagnosticadas pelo Programa Estadual de Triagem Neonatal (PETN-MG) que foram encaminhadas para o tratamento multidisciplinar no Ambulatório do Hemocentro de Belo Horizonte, unidade da Hemominas”, explicou Rezende. De acordo com ele, a pesquisa procurou estudar retrospectivamente as características clínicas, epidemiológicas e de tratamento do SEA dessas crianças.
Em seguida, o hematologista ressaltou também que, para a eficácia do tratamento, uma correlação entre o diagnóstico precoce e o suporte clínico precisam ser levados em consideração. “O fluxo do acompanhamento regular ou em situações de urgência, em Belo Horizonte, se dá a partir do diagnóstico pelo teste do pezinho, realizado pelo Nupad. Quando há resultado positivo para a patologia, a criança é encaminhada para o tratamento na Hemominas e, em situações de emergência, para as unidades básicas de saúde”, afirmou. Segundo o médico hematologista, é importante que exista um contato do atendimento de urgência com a Fundação Hemominas sempre que necessário, para que os profissionais da unidade básica conheçam mais detalhes sobre o histórico da criança com doença falciforme.
Rezende falou ainda sobre a realização da esplenectomia, procedimento cirúrgico para a retirada do baço em razão de seqüestro esplênico agudo, e ressaltou que a experiência mineira apresenta os principais avanços para a questão da pessoa com doença falciforme no Brasil: a triagem neonatal realizada pelo Nupad, o acompanhamento e tratamento multidisciplinar da Fundação Hemominas, e o funcionamento da central telefônica gratuita do Cehmob-MG (Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias) com informações voltadas aos profissionais de saúde e às famílias que têm pessoas com doença falciforme. “Ainda existem alguns desafios que precisamos ultrapassar, como aperfeiçoar a capacitação profissional, melhorar o atendimento primário - e de urgência - e diminuir o tempo de espera da indicação da esplectomia e sua realização”, esclareceu. Paulo pontuou que avanços importantes vem acontecendo nessas áreas, mas disse que é preciso um esforço ainda maior. “O atendimento ao paciente com anemia falciforme é cheio de obstáculos e, por isso, temos que nos unir para melhorá-lo”, finalizou.
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