06 de outubro de 2009
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| De acordo com Joice Aragão, uma capacitação abrangente serviria de base para a promoção da atenção integral à saúde dos pacientes |
Em consonância com os debates do V Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme e outras Hemoglobinas - evento promovido entre os dias 03 e 07 de outubro em Belo Horizonte - que explicitam a importância da informação para os profissionais de saúde e visam a promoção da atenção integral às pessoas com doença falciforme, a conferência “A doença falciforme no Brasil e no contexto pan-americano”, realizada na segunda-feira, dia 5, apontou os significativos resultados das iniciativas em curso para a capacitação dos profissionais nos cuidados às pessoas com doença falciforme.
De acordo com a pediatra e sanitarista Joice Aragão de Jesus, da Coordenação da Política Nacional de Atenção Integral às pessoas com Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias do Ministério da Saúde do Brasil, é preciso ter profissionais qualificados para identificar e agir sobre os eventos agudos da doença, a fim de se evitar complicações graves da enfermidade que podem, inclusive, levar à morte. De acordo com ela, uma capacitação abrangente, voltada para os aspectos não-clínicos como fatores sócio-culturais e históricos, serviriam de base para a promoção da atenção integral à saúde desses pacientes. “Se não tivermos centros de referência preparados para atender às pessoas com a doença, vamos retroceder nesse cenário, nos afastando da atenção integral às pessoas com doença falciforme”.
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| Cristina Torres Parodi, membro da OPAS / OMS, afirmou que a expectativa de vida das pessoas com doença falciforme saltou de 10 para 50 anos desde a década de 70 |
Durante a apresentação na conferência, a representante do Ministério da Saúde destacou a importância de capacitações voltadas principalmente para os profissionais da atenção básica - “que são a porta de entrada do sistema de saúde” - para reorganizar uma linha de cuidados compatível com a atenção integral. “Não precisamos gastar muito, apenas aperfeiçoar o que já temos, utilizando a informação e a sensibilização para reestruturar a atenção a esses pacientes”, destacou. Nessa perspectiva, Joice apresentou ainda algumas iniciativas que têm ajudado a melhorar o cenário para a doença no país, incluindo a visita de representantes do Ministério a todos os estados e a produção e divulgação de manuais sobre diversos aspectos da vida das pessoas com a enfermidade.
Segundo Cristina Torres Parodi, da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a situação não é muito diferente em outros países americanos e, embora ainda existam muitos desafios a serem superados, as ações voltadas para a capacitação de profissionais e para a atenção integral ao paciente têm mostrado bons resultados nas últimas décadas. Ela explicou, por exemplo, que o reconhecimento da doença como uma questão relevante de saúde pública na região, a elaboração de programas de atenção integral e o desenvolvimento da capacitação de profissionais de saúde colaboraram para o aumento da expectativa de vida dos pacientes a partir da década de 70 - que de dez, saltou para 50 anos de idade. “Esses avanços nos incentivam a continuar trabalhando para reduzir ainda mais a morbi-mortalidade e aumentar a expectativa e qualidade de vida dessas pessoas”, disse Cristina Parodi.
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