06 de outubro de 2009
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| O médico e professor francês Philippe Hernigou apresentou resultados significativos da terapia gênica e celular para reparo da osteonecrose |
Assunto polêmico, como o transplante de medula óssea em pacientes com hemoglobinopatias, a “Terapia gênica e celular” foi tema da conferência geminada na manhã de terça-feira no V Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias. Professor de medicina e biologia das faculdades de Paris e Boston, Philippe Leboulch abriu os trabalhos com a palestra “Terapia gênica para hemoglobinopatias”. Posteriormente, Philippe Hernigou, professor de medicina e cirurgião ortopédico na França, apresentou a palestra “Terapia celular para as complicações ósseas da doença falciforme”.
Leboulch apresentou uma experiência de dois anos de acompanhamento pós-transplante de um paciente com talassemia que passou por terapia gênica. Centrada na questão de “como corrigir a talassemia e a doença falciforme”, a pesquisa foi resultado de colaboração entre Estados Unidos e França, sendo realizada em Paris, com autorização para o transplante com terapia gênica. O protocolo clínico, como resumiu Leboulch, é feito da seguinte maneira: a medula é colhida e purificada; as células são expostas às citocinas; posteriormente, essas células são criopreservadas; e, por fim, são injetadas novamente no paciente - que é observado posteriormente quanto à ocorrência de complicações.
O paciente tinha 18 anos, era talassêmico, recebia transfusão desde os três anos, fez tratamento com quelação e teve falha no tratamento com hidroxiureia. Ele foi transplantado aos 17 anos e, após 27 meses de acompanhamento, não teve complicações. “Conseguimos converter o paciente à independência de transfusão; o seu nível de hemoglobina subiu e foi mantido; e a meia-vida das hemácias foi aumentada. Ou seja, o resultado foi positivo”, esclareceu o professor. O grande saldo destacado por Leboulch foi a melhoria da qualidade de vida do paciente com talassemia. Em duas semanas, segundo o cientista, serão incluídos outros pacientes nos estudos.
Complicações ósseas
Também usando a terapia gênica e celular, o estudo apresentado pelo médico e professor Philippe Hernigou se concentrou no reparo da osteonecrose de quadril - tipo de lesão nos ossos - para pessoas com doença falciforme. De acordo com o especialista, o primeiro caso de osteonecrose no mundo foi descoberto em pessoa com doença falciforme. “Nós temos grande interesse nesse tipo de terapia e conseguimos a correção quase total da osteonecrose”, disse.
Segundo o médico, a técnica foi baseada na aspiração das células da medula óssea e, posteriormente a outros procedimentos, na re-injeção dessas células na região da osteonecrose. Os resultados do estudo, observados entre os anos de 1990 e 2009, em mais de 600 reparos de quadris também foram apresentados por Hernigou, que ressaltou a importância do diagnóstico precoce na utilização da técnica. “Nós tivemos o sucesso clínico de 97% no estágio I da osteonecrose, e 81% de sucesso clínico no estágio dois da doença. Isto é, o tratamento do quadril pode ser feito na maioria dos pacientes com doença falciforme e tem bons resultados, desde que o diagnóstico seja feito no início do problema”, finalizou o médico.
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