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Especialista apresenta o panorama das pesquisas em doença falciforme nos EUA

07 de outubro de 2009

Studio Image
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Susan Shurin explicou que o foco das pesquisas nos EUA está nos níveis molecular e genético

Desde a primeira descrição clínica da doença falciforme, em 1910, grandes avanços clínicos e científicos foram alcançados, sempre com significativos impactos na abordagem a essa que é uma das doenças genéticas de maior incidência no mundo. Ministrando conferência nesta terça-feira, dia 06, segundo dia de atividades do V Simpósio de Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias, a diretora do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos EUA, Susan Shurin, destacou as visões que os Institutos Nacionais de Saúde americanos têm sobre as pesquisas em doença falciforme e o impacto destas sobre os cuidados com o paciente.

De acordo com a especialista, houve grandes avanços na primeira metade do século XX, que resultaram principalmente na descrição da estrutura da hemoglobina S em 1947. A partir daí, predominaram as descobertas sobre os riscos de infecções em crianças com a doença, o impacto dos antibióticos e da imunização na saúde dos pacientes, e, mais recentemente, a questão da cura através dos transplantes de medula – todas com grande impacto, principalmente na expectativa de vida das pessoas com doença falciforme. “O aumento da expectativa de vida – de dez anos até o final da década de 60 para quase 50 anos de idade hoje – reflete esses avanços científicos. No final da década de 60, início de 70, por exemplo, houve o desenvolvimento e uso de antibióticos e vacinas, que fizeram grande diferença para esses pacientes”, informou.

Para Susan Shurin essas descobertas, especificamente no caso dos Estados Unidos, são fruto de observações clínicas cuidadosas, investimento em pesquisas científicas básicas – são US$ 30 bilhões por ano, a maior parte aplicado em estudos de base –, da colaboração de especialistas de diversas áreas, testes clínicos e de medicamento bem feitos e do desenvolvimento dos exames por imagem. Tudo isso, segundo a especialista, apóia-se na capacitação que os Institutos Nacionais de Saúde oferecem aos pesquisadores e na atuação conjunta dos órgãos reguladores, de pesquisa e dos sistemas de saúde pública do país.

Com o objetivo de buscar a gênese da enfermidade com vistas a uma abordagem mais preventiva, Shurin explicou que o foco das pesquisas científicas nos Estados Unidos está, atualmente, voltado aos níveis molecular e genético. “Estamos encarando o desafio de mudar o olhar, incentivando o entendimento da doença em nível mais celular e molecular, para ‘acessarmos’ a doença de forma mais precoce, o que reduziria as complicações da condição e os custos dos sistemas de saúde”, declarou.

Destacando a quantidade de estudos sobre aspectos variados da fisiopatologia da doença – inflamações, homeostase, coagulação etc. –, Susan Shurin disse que o desenvolvimento de estudos genéticos multicêntricos é essencial para um entendimento global da doença. “É preciso ter um melhor entendimento dos mecanismos genéticos da doença e, para isso, é necessária a participação de equipes multidisciplinares e, principalmente, de uma colaboração global. Já tivemos grandes progressos, e não temos muito mais a descobrir, mas mesmo essas coisas sutis que ainda podemos descobrir podem fazer grande diferença para a saúde do paciente - que deve ser o foco de nossas pesquisas”, concluiu.


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