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Especialistas apontam necessidade de capacitação em doença falciforme para os profissionais da atenção primária

07 de outubro de 2009

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A pediatra Ana Paula Fernandes ressaltou a importância da capacitação voltada para a atenção integral à pessoa com doença falciforme

Embora seja encarada como porta de entrada para o Sistema Único de Saúde (SUS) a atenção primária à saúde não está preparada, segundo especialistas, para lidar com a doença falciforme, quase sempre encaminhando esses pacientes para os hemocentros – o que, além de significar perda de tempo, pode causar graves consequências para a pessoa que sofre os eventos agudos característicos da enfermidade. Com esse contexto em consideração, os participantes da mesa-redonda “Doença falciforme e linha de cuidados” defenderam na última segunda-feira, durante o V Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias, a necessidade de promoção de capacitações para que esses profissionais aprendam a lidar com os pacientes, considerando a perspectiva de atenção integral à saúde da pessoa com doença falciforme.

“Sabemos que o evento agudo na doença falciforme é de responsabilidade da atenção secundária, mas a identificação de seus sinais na atenção primária pode salvar vidas”, destacou a pediatra Ana Paula Pinheiro Chagas Fernandes, do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad/FM/UFMG), durante palestra sobre contradições e superações na atenção básica e secundária para doença falciforme. A especialista salientou ainda que “a capacitação dos profissionais deve levar em conta a atenção integral: não apenas os padrões clínicos, mas também fatores os sociais que permeiam a vida do paciente”.

Doutora em enfermagem, Cecília Maria Izidoro Pinto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem opinião semelhante à da pediatra do Nupad em relação à necessidade de educação em doença falciforme para esses profissionais. “A rede básica de serviços de saúde está despreparada para lidar com a doença falciforme”, disse, acrescentando que o perfil clínico da doença e sua morbimortalidade ainda são desconhecidos por muitos médicos, inclusive. Ao concluir, Cecília apontou que “a estrutura mais complexa a ser preparada no atendimento de urgência e emergência na doença falciforme é a humana”.

Minas já organiza ações de capacitação

Ana Paula pontuou que, considerando os desafios da atenção primária e a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias, o Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG) desenvolve uma série de iniciativas em parceria com o Núcelo de Ações e Pesquisa em Apoio diagnóstico (Nupad/FM/UFMG). Com objetivo de informar, conscientizar e preparar profissionais de saúde e pessoas com doença falciforme do Estado para entender a enfermidade e lidar com suas especificidades, o Cehmob-MG promove, treinamentos para profissionais de saúde, reuniões com familiares de pessoas com a enfermidade, projetos de pesquisa e apoio a pacientes – como as gestantes com a doença, que constituem grupo de risco – e ainda desenvolve protocolos, manuais, documentos e outros materiais educativos.

Entre as iniciativas, a pediatra destacou a proposta de educação permanente “PETN-MG: Linha de Cuidados na Atenção Primária – Doença Falciforme” que, através de educação à distância e usando estudos de casos baseados em ocorrências reais, tem por objetivo capacitar os profissionais de saúde da atenção primária com foco na organização do cuidado às pessoas com doença falciforme, no estabelecimento de vínculos para a continuidade da atenção e no comprometimento dos profissionais com o cuidado ao paciente.


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