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Gravidez na doença falciforme ganha destaque com “Projeto Aninha”

07 de outubro de 2009

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Milza Cintra: "Projeto Aninha busca atender integralmente a gestante com doença falciforme"

A gestação de mulheres com doença falciforme ainda é um assunto pouco discutido entre os profissionais de saúde, e raramente é abordado, inclusive em trabalhos e pesquisas científicas. Com o objetivo de colocar o tema em pauta de forma abrangente, a conferência “Gravidez na doença falciforme”, realizada na tarde do dia 06 de outubro, terça-feira, trouxe ao centro das discussões do V Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias o “Projeto Aninha”, desenvolvido pelo Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG). Apoiado no trabalho de uma equipe multiprofissional, o Projeto tem suporte do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad/FM/UFMG) e da Fundação Hemominas e Hospital das Clínicas da UFMG, responsáveis pelo acompanhamento ambulatorial das gestantes com doença falciforme. O Ministério da Saúde, e as Secretaria Estadual e Municipais de Saúde de Minas Gerais também participam da iniciativa.

Supervisora técnica do Cehmob-MG e médica, Milza Cintra apresentou o histórico e as especificidades do Projeto durante a palestra intitulada “Cuidando da gestante com doença falciforme: o Projeto Aninha”. “O projeto tem dois anos e a ideia começou a surgir no IV Simpósio Internacional de Doença Falciforme realizado no Rio de Janeiro, quando um grupo discutiu a questão das grávidas e como isso era trabalhado em Minas Gerais”, relatou. Estabelecido a partir do fim de 2007, o “Projeto Aninha” busca atender integralmente às gestantes com doença falciforme e, com esse objetivo, investiga a evolução da gravidez e as possíveis complicações a ela relacionadas, preocupando-se ainda com as necessidades, anseios e receios dessas gestantes durante e depois da gestação. A iniciativa, segundo Milza, abrange também a realização de pesquisas científicas que buscam aperfeiçoar ainda mais o atendimento às grávidas com doença falciforme.

A médica também ressaltou algumas preocupações levantadas pelo projeto. “Algumas das nossas preocupações são com a rede de cuidadores da área da saúde que deve ter como base o acolhimento e a humanização; com a capacitação e os treinamentos; e com o protocolo de acompanhamento da gestante com a patologia, que já está pronto e disponível para download no site do Cehmob-MG”, destacou. Em relação aos treinamentos e capacitações para profissionais de saúde, Milza informou que, há pouco mais de dois meses, foi realizado um seminário eletrônico a distância que divulgou as ferramentas de conduta do Projeto para mais de trezentos profissionais de saúde de Minas Gerais. Por fim, a coordenadora do Centro fez questão de ressaltar a importância do fluxo de acompanhamento das gestantes, que passa, entre outros, por um programa especial para pré-natal de alto risco e o convencional, realizado na rede de atenção básica à saúdes. “Todos devem ficar em volta do ‘Aninha’. É importante termos a integralidade dos serviços e não afastar a pesquisa da assistência”, afirmou.


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