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Cultura negra é destaque em semana sobre Racismo Institucional

ACS - Faculdade de Medicina da UFMG Belo Horizonte, 30 de novembro de 2016
Oficina Abayomi durante Semana de Atividade – Racismo Institucional. Foto: Carol Morena.

Oficina Abayomi durante Semana de Atividade – Racismo Institucional. Foto: Carol Morena.

Com rodas de conversa, oficinas e relatos de convidados, o Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG) realizou, pelo segundo ano seguido, a “Semana de Atividades – Racismo Institucional”, entre os dias 21 e 24 de novembro, em comemoração ao mês da Consciência Negra. Foram momentos de debate e reflexão que colocaram em destaque a cultura e população negras, bem como as formas de se enfrentar e combater o racismo na sociedade.

Promovida pelo Centro de Educação a partir do Grupo Técnico Racismo Institucional, a ação reuniu dezenas de colaboradores e parceiros do Nupad, Fundação Hemominas, Associação de Pessoas com Doença Falciforme e Talassemia de Minas Gerais (Dreminas) e projetos especiais do Cehmob-MG. As atividades, realizadas nos diferentes anexos do Nupad, ocorreram nos períodos da manhã e tarde.

Racismo Institucional

Na tarde do dia 21, a superintendente de Políticas Afirmativas e Articulação Institucional na Secretaria de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania de Minas Gerais, Yone Gonzaga, coordenou discussão sobre o racismo nas instituições. Segundo ela, o processo histórico e político posterior ao fim da escravidão no Brasil resultou em uma população negra sem amparo social: “Após a abolição, todo o discurso sobre o negro é construído: negros não davam conta, eram malcheirosos e incompetentes. Isso é a institucionalização do racismo”.

Yone Gonzaga (centro) coordena discussão no Cehmob-MG. Foto: Carol Morena.

Yone Gonzaga (centro) coordena discussão no Cehmob-MG. Foto: Carol Morena.

O grupo também debateu sobre a baixa representatividade dos negros em algumas profissões e o acesso desigual aos serviços oferecidos à população. “No serviço público, antes de perguntar o que você deseja, o primeiro olhar é para a cor da pele. São essas experiências que precisamos parar para refletir”, exemplificou Yone.

Maria Zenó Soares, presidente da Dreminas, destacou o racismo na doença falciforme, uma vez que 95% das pessoas com a doença faz parte da população negra: “Apesar da dor causada pela doença, a dor da discriminação é a mais forte”. Ela citou ainda a diferença entre os números dos serviços de saúde e a realidade enfrentada pelos negros. “Diminui a morte materna e infantil, mas apenas para os brancos: para a população negra aumenta. Os anos de estudo também, aumentam para os brancos, para os negros não”, alertou.

Para Flávio Simões, membro da Dreminas, a ação de uma só pessoa pode fazer a diferença e gerar um ciclo de mudanças: “Sofremos o racismo na infância, adolescência e continuamos na vida adulta, mas há um movimento. É muito importante a conscientização e divulgação”.

Foto: Carol Morena.

Foto: Carol Morena.

Beleza negra

O segundo e terceiro dia de atividades foram de relatos sobre beleza negra e racismo. No dia 22, as convidadas foram as gêmeas Walkiria e Mikaela Gabriele, autoras do livro “Meu crespo, nossa história” e da página “Cachos da Negra” nas redes sociais.

Walkiria contou que há três anos ela e a irmã resolveram parar de alisar os cabelos e decidiram cortá-los, para que assumissem o aspecto natural. “ ‘Olha que linda a raiz do meu cabelo, que lindas que somos’, eu reagi. Depois daquilo, passamos a nos olhar mais no espelho”, disse.

As irmãs Walkiria e Mikaela. Foto: Carol Morena.

As irmãs Walkiria e Mikaela. Foto: Carol Morena.

Ao adotarem o novo visual, as irmãs decidiram criar um blog em 2014 e a “Campanha Resistência”, para receber depoimentos de outras mulheres que, assim como elas, também haviam assumido os cachos. Após receberem cerca de 100 relatos, elas optaram por lançar o livro para compartilhar aquelas histórias.

Walkiria destacou a importância de se respeitar o processo de reconhecimento de cada pessoa. “É acordar, se olhar no espelho e decidir cortar e conhecer o próprio cabelo, e poder usar o liso também, quando quiser. Isso vale para mulheres e homens”, pontuou.

“A sociedade nos cobra o tempo todo. Somos bombardeados pela mídia e comparadas com um padrão. É muito bom podermos discutir isso com essa flexibilidade e nos libertar”, opinou a coordenadora do Grupo Racismo Institucional e enfermeira do Cehmob-MG, Ruth Santos. Também, para a estagiária de Enfermagem do Cehmob-MG, Ana Cláudia Amaro, as discussões contribuem para o empoderamento: “Muito do que vocês falaram eu convivo. A gente conta com vocês, que têm voz ativa, para não deixar esse assunto retroceder”.

Participantes de roda de conversa. Foto: Carol Morena.

Participantes de roda de conversa. Foto: Carol Morena.

A modelo Fabíola Couto relatou, no dia 23, as dores que enfrentou devido ao racismo e pelas quais passa ainda hoje. “Sofri na escola, dentro da Igreja, não fui aceita pela família do meu ex-marido… O que está faltando é um pouco de misericórdia. Pessoas racistas não sabem o mal que estão causando”, disse, emocionada.

Fabíola teve depressão, esteve acima do peso e tentou suicídio mais de uma vez. Após se separar e passar por uma cirurgia de redução do estômago, raspou o cabelo e começou a se reconhecer. “Vi que nada daquilo que falavam comigo desde criança era verdade. Eu não sou feia, eu não sou chata, eu posso ser o que eu quiser”, declarou.

A descoberta como modelo veio depois de ela ser fotografada pelo filho e postar os registros nas redes sociais. O resultado foi o contrato a partir de três agências: “Tudo que aconteceu comigo ajudou a mostrar aquilo que está escondido em todos, o amor próprio. O que falta na mulher é descobrir esse amor”.

Fabíola durante relato. Foto: Carol Morena.

Fabíola durante relato. Foto: Carol Morena.

Funcionárias do Nupad acompanham relato. Foto: Carol Morena.

Funcionárias do Nupad acompanham relato. Foto: Carol Morena.

Ainda participaram da conversa Erilda Gonçalves e Paola Resende, que também compartilharam episódios de racismo sofridos dentro e fora de casa. Atualmente as duas trabalham juntas com estética facial e corporal. “Hoje eu vejo que sou influência, vejo muitas pessoas com o cabelo como o meu”, disse Paola.

Oficina Abayomi

No último dia de atividades, parceiros do Cehmob-MG aprenderam a confeccionar a boneca Abayomi. Segundo a psicóloga Regina Bittencourt, que coordenou a oficina ao lado da também psicóloga Marimília Lambertucci, essas bonecas, tradicionais na África, foram criadas para as crianças durante a escravidão para tirá-las um pouco da realidade e trazer calma e alegria.

Bonecas Abayomi. Foto: Carol Morena.

Bonecas Abayomi. Foto: Carol Morena.

Regina fala da cultura africana. Foto: Carol Morena.

Regina fala da cultura africana. Foto: Carol Morena.

Para as técnicas do Laboratório de Triagem Neonatal do Nupad, Renata Rodrigues e Érica Fabiana, que participaram de dois dias de atividade e também aprenderem a criar as Abayomi, a Semana foi de aprendizado. “Achei muito interessante porque não se falou só de racismo, mas de família e cultura”, disse Renata. “Não temos esse tipo de atividade fora daqui, então é importante essa conscientização a partir dos relatos”, observou Érica.

Além das ações citadas, a Semana contou também com as palestras “De onde vem nosso racismo”, feita por Luís Canto, “Quem é negro no Brasil”, com Ricardo Dias, e as rodas de conversa “Direitos Humanos x Sociedade Racista”, coordenada por Ana Paula Freitas e Nathália Orleans, e “Saberes tradicionais, saúde e cultura afro-brasileira”, com Márcio Ferreira de Sá e Adriana Martins. Para Ruth Santos, o resultado das atividades superou as expectativas: “Fiquei muito feliz com quem veio, todas as pessoas se envolveram, mesmo os mais tímidos. Foi um espaço libertador, de reflexão”.

Para conhecer a programação completa da semana, acesse.

Mais fotos em galeria.

Participantes criam as bonecas Abayomi. Foto: Carol Morena.

Participantes criam as bonecas Abayomi. Foto: Carol Morena.

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